Eu esperei
Ia dizer que chegou cesta
Nova
Ia dizer pro defensor
Como você estava preocupado com a multa
Que queria continuar a vida
tinha me dito,
Thiago
Te esperei
Pra juntos contarmos à justiça
Que se não tem dinheiro pro tênis
Quem dirá pra multa
“De chinelo não pode entrar lá, dona”
E olhava pro chinelo surrado
Sujo
Como a roupa toda que vestia
Eu sei que você é asseado
É que sabão em pó não limpa
Miséria
Esperei pra contar pro juiz
Como apesar da vida dura
Há em você ainda
Doçura
Deve ser do tempo em que era criança
E vender pano no sinal
Era só um jeito de ficar na barra da saia
da Vó
Será que você sabe como é
Bonito
Com seus cabelos negros e sobrancelhas
Espessas?
Andei aflita pelos corredores gelados da
Escola
Te esperei
Mas você não voltou
Te escrevo
Thiago
Porque queria te abraçar
Te escrevo
Te escrevo porque mereces
Pelo menos a
Dignidade
Da poesia.